segunda-feira, 11 de setembro de 2017

China já investiu R$ 60 bi na compra de empresas no Brasil desde 2015

11/09/2017 - Estadão

De cada R$ 10 que entraram no País para comprar uma empresa ou um ativo nacional nos últimos 30 meses encerrados em junho, R$ 3 vieram da China. O avanço dos chineses sobre o Brasil nesse período chegou a R$ 60 bilhões e, com um fôlego extra nos últimos meses, eles se tornaram os maiores investidores estrangeiros em fusões e aquisições, ultrapassando os americanos.

No ano passado, os chineses aplicaram R$ 23,96 bilhões na compra de ativos no Brasil, quase 80% a mais que os R$ 13,4 bilhões injetados pelos americanos. No primeiro semestre de 2017, a tendência se repetiu: R$ 17,8 bilhões dos orientais e R$ 12,3 bilhões dos ocidentais, segundo dados da TTR.

Para executivos de bancos, o movimento chinês em 2017 será tão ou mais intenso que no ano passado. “Nada indica uma diminuição do apetite deles por investimento no Brasil. Eles devem continuar como atores relevantes em 2017 e 2018”, afirma Bruno Amaral, sócio do BTG.

“Temos mais consultas (de investidores chineses) neste ano que em 2016”, diz o diretor da área de banco de investimentos do Itaú BBA, Roderick Greenlees. O vice-presidente do Santander, Jean Pierre Dupui, conta que, neste ano, o banco está com seis grandes negociações que envolvem chineses, enquanto, em 2016, foram duas. “Devem ter negócios para acontecer nos setores de comida e bebida, commodities e imobiliário”, acrescenta.

Apesar de a maioria das transações fechadas pelos orientais se concentrar em energia – 97% do volume aportado no primeiro semestre de 2017 –, já há indícios de uma diversificação nos segmentos econômicos. Infraestrutura, por exemplo, é um dos setores que devem voltar a ganhar espaço. Em 2011, 33% dos recursos envolvidos nas operações foram para essa área, mas, depois, esse número recuou e chegou a 2% no ano passado, segundo a A.T. Kearney. Um exemplo da retomada dos chineses em infraestrutura foi a aquisição de 90% do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), anunciada na semana passada pela estatal China Merchants Port Holding (CMPorts), por R$ 2,9 bilhões.

“Vemos os investimentos chineses acontecendo em ondas. Primeiro, eles entraram em recursos naturais, depois energia e agora infraestrutura, principalmente portos e aeroportos”, diz Greenlees.

Segundo o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, os chineses pretendem crescer nos setores financeiro, de saneamento e ainda mais no energético. “Temos uma empresa que nos pediu para ver a possibilidade de o governo fazer um leilão de energia de lixo.” Uma fabricante de cabos para transmissão de energia também analisa o País, diz Tang.


sábado, 9 de setembro de 2017

Gigante CCCC vai construir terminal portuário em SC

04/09/2017 - Valor Econômico

A China Communications Construction Company (CCCC), a maior empresa de infraestrutura da China, fecha mais um negócio no setor portuário brasileiro. O conglomerado assinou no sábado, na presença do presidente Michel Temer, em Pequim, um memorando de entendimentos com o Fundo de Investimentos em Participações em Infraestrutura Anessa para construção conjunta do Terminal Graneleiro da Babitonga, um projeto privado em São Francisco do Sul (SC). 

O TGB tem hoje como controladores o FIP Anessa, de investidores de Santa Catarina, com 80%, e a gigante chinesa de alimentos Cofco com os demais 20%. O valor do investimento para construir o porto é de R$ 1,6 bilhão. 

A CCCC é controlada pelo governo chinês e com ações negociadas nas Bolsas de Xangai e Hong Kong. O memorando de entendimento estabelece um cronograma para ''due diligence que culminará com a assinatura do contrato de compra de parte do TGB até o fim de dezembro deste ano. O objetivo da CCCC é adquirir o controle do TGB e iniciar suas obras imediatamente. 

Além de construir, a CCCC opera ativos em outros países. No fim do ano passado tinha US$ 150 bilhões investidos em concessões de infraestrutura de transportes, entre empreendimentos prontos e os ainda em construção 

A capacidade de movimentação de carga do TGB está projeta em 14 milhões de toneladas por ano. 

Com área total de 601 mil metros quadrados, terá pier para atracação de navios com 316,8 metros de comprimento, 14 metros de calado e três linhas ferroviárias com 2 mil metros de extensão. O porto terá um silo para açúcar com capacidade de estocagem de 1 milhão de toneladas, três silos para grãos com capacidade estática para 250 mil toneladas cada, três sistemas de esteiras com oferta de expedição de 4 mil toneladas por hora, três carregadores de navios ("shiploaders") com capacidade de 4 mil toneladas por hora, entre outros. 

O TGB ficará na parte insular de São Francisco do Sul, a aproximadamente a 2 quilômetros da BR-280 e a três quilômetros da linha férrea operada pela Rumo. 
Este é o segundo negócio portuário da CCCC no Brasil. 

No ano passado, o grupo fechou com a brasileira WPR Participações, ligada à WTorre, um negócio para assumir participação no projeto portuário multicargas do terminal de São Luís, no Maranhão - também um projeto greenfield.

O projeto será desenvolvido em uma área de 2 milhões de metros quadrados, com acesso direto à BR-135 (que liga o Maranhão a Minas Gerais) e às ferrovias Carajás e Transnordestina. Terá capacidade anual para movimentar 24,8 milhões de toneladas. 

Também na missão da China, a CCCC e a WPR assinaram o financiamento com o Banco Industrial e Comercial da China. O valor do investimento no porto maranhense é de R$ 2,2 bilhões. 

A CCCC tem como assessor financeiro no Brasil o Banco Modal.



sábado, 26 de agosto de 2017

Temer tenta atrair chineses para concessões

25/08/2017 - Estadão

No pacote que vai levar a investidores chineses na semana que vem, o governo brasileiro vai apresentar a oferta de leilão das quatro usinas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig): Miranda, São Simão, Volta Grande e Jaguara. A bancada mineira tem pressionado para que elas continuem sob o comando da estatal mineira. Na comitiva do presidente Michel Temer estará, entre alguns parlamentares, o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), que está na linha de frente da resistência ao leilão das usinas.

O programa de concessão e privatização será incluído em todas as palestras que Temer fizer para os empresários chineses. Nas reuniões, os projetos de privatização serão apresentados pela equipe do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), coordenada pelo Secretário Especial do programa, Adalberto Vasconcellos.

O pacote que será levado à China vai destacar os projetos de energia, que têm grande possibilidade de participação chinesa. O governo também vai “vender” aos asiáticos os projetos nas áreas de transportes, rodovias, hidrovias, ferrovias, terminais portuários, e a Eletrobrás.

O ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes, comentou que a visita de Temer à China será importante principalmente no campo econômico. A expectativa é que sejam anunciados grandes investimentos, em várias áreas.

De acordo com Tarcísio Freitas, secretário de coordenação de projetos do PPI, que vai integrar a comitiva brasileira em Pequim, já está agendada para o dia 1.º de setembro uma reunião com a State Power Investment Overseas (Spic), que em junho deste ano apresentou proposta para comprar a participação da Cemig na Hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia.

Contra o tempo. Na avaliação de especialistas que acompanham os processos de licitação no Brasil, o governo precisa correr para tirar todos os projetos do papel até o fim deste mandato. Primeiro por causa do tempo para elaborar os estudos e a modelagem do negócio e para resolver divergências que sempre surgem no meio do caminho. Mas há outro fator que deve pesar ainda mais no andamento do processo: a questão política. No ano que vem, há eleições e, conforme forem surgindo os nomes de possíveis candidatos à presidência, as incertezas podem aumentar, afirma o presidente da consultoria Inter.B, Claudio Frischtak.

“Em meados de 2018 já teremos um quadro mais definido sobre os candidatos e, se algum nome mais populista ganhar força, o programa pode ser colocado em xeque.” Ele acredita, porém, que há ativos que podem superar as incertezas políticas, como o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. “Os números estão disponíveis e os investimentos não devem ser muito altos.”

O sócio da área de infraestrutura do L.O. Baptista Advogados, Fernando Marcondes, acredita que os resultados do programa comecem a aparecer no primeiro semestre de 2018, exceto no caso das usinas da Cemig, que o governo quer licitar no mês que vem. “Se os editais forem lançados no primeiro semestre de 2018, temos de contar mais uns quatro meses para a realização do leilão (é esse prazo que pode ser alterado em alguns projetos)”, destaca. Mas ele também avalia que a questão política pode afetar os planos do governo.

Para o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, algumas concessões têm potencial para saírem do papel mais rápido, como é o caso da 3.ª Rodada de blocos do pré-sal. “Já está tudo estruturado.” Ele elogiou a decisão de privatizar a Eletrobrás, que deve atrair fundos de investimentos. Mas esse é um projeto que ainda não tem nenhuma modelagem estruturada. Ele elogiou a decisão de privatizar a Eletrobrás, que deve atrair fundos de investimentos. Mas esse é um projeto que ainda não tem nenhuma modelagem estruturada.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Investimento da China no Brasil cresceu 13% em 2016

20/07/2017 - Valor Econômico

Os investimentos chineses no Brasil cresceram entre 2015 e 2016 e indicam uma consolidação da estratégia da China para ampliar sua participação na economia brasileira. Nos últimos dois anos, o país asiático tem pulverizado seus aportes em mais setores e apostado com ênfase maior em fusões, parcerias e compras de empresas, em vez de projetos novos. Além disso, as licitações de projetos de infraestrutura se apresentam para o investidor chinês como novo vetor para futuros investimentos.

De acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o total de investimentos feitos por empresas chinesas no país em 2016 chegou a US$ 8,397 bilhões, crescimento de quase 13% em relação ao ano anterior. Levantamento mais atual, da consultoria inglesa Dealogic, mostra que as inversões chinesas em território brasileiro atingiram US$ 6,176 bilhões no primeiro semestre deste ano.

O total verificado pelo CEBC diz respeito a 12 projetos confirmados ao conselho pelas empresas envolvidas. Há ainda quatro projetos com aportes pendentes que somam US$ 4,1 bilhões. Dos 16 projetos de investimentos chineses no país no ano passado, o CEBC verificou que oito deles foram executados por meio de operações de fusão e aquisição e quatro joint ventures. Os outros quatro são aportes em iniciativas novas ("greenfield").

Esse movimento é um dos destaques do estudo CEBC. Mostra que a China está consolidando sua expansão econômica global de forma mais estratégica. "A preferência dos chineses em adquirir ativos locais pode ser explicada em parte pela facilidade em operar a partir de empresas já consolidadas no mercado doméstico e pela vantagem oferecida por terem expertise prévia de operação no Brasil", assinala o relatório.

Os 16 projetos que receberam e receberão investimentos chineses estão distribuídos em nove setores, com destaque para cinco projetos em energia elétrica e dois em infraestrutura. Há ainda dois projetos no setor de eletrodomésticos e outros dois da área financeira. Atividades de mineração, siderurgia, telecomunicações, automotiva e agronegócio têm um projeto identificado cada com capital chinês.

"Esses investimentos têm caráter geopolítico estratégico, com um componente econômico e empresarial muito maior do que aqueles dos aportes feitos até 2010. Até essa época os aportes eram mais concentrados em commodities. Agora o Brasil entrou na rota de valor do capital chinês", diz Fabiana D'Atri, economista do Bradesco especializada em China e mercado asiático.

A partir de 2014, ano marcado pelo começo da pior recessão vivida pelo Brasil, o fluxo de investimento chinês no país registra seu pior ano, mas ao mesmo tempo começa a passar por uma inflexão. No ano seguinte os aportes da China ressurgem com força em termos de volume e passam a acompanhar o compasso das inversões chinesas globais.

"Empresas chinesas passaram a comprar multinacionais de diferentes setores e com operações em vários países em que a China têm interesse, o Brasil é estrategicamente um desses países", afirma a economista do Bradesco.

Ao longo de 2015 as compras feitas por empresas chinesas no mundo bateram recorde histórico ao superar US$ 60 bilhões, com impacto direto no Brasil.

Exemplos são as aquisições das gigantes do agronegócio Nidera e Noble pela Cofco e da Pirelli, comprada pela ChemChina, do setor petroquímico. Depois do fechamento de negociações de âmbito global, ambas as empresas chinesas herdaram operações grandes no mercado brasileiro.

As licitações no setor de infraestrutura se desenham como outro canal de entrada do capital chinês no Brasil, o que deve manter elevado o nível de aportes até o fim deste ano e em 2018. "O déficit brasileiro nesse setor abriu uma janela de oportunidade para os investidores chineses, já reconhecidamente experientes na execução de projetos de infraestrutura. De forma complementar, a China dispõe do capital necessário para levar adiante iniciativas nessa área que se alinham com os interesses chineses na região", assinala o CEBC.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Primeira base militar chinesa além-fronteiras sugere nova estratégia de Pequim para África

17/07/2017 - Diário de Notícias (Portugal)

A China enviou esta semana soldados para a sua primeira base militar além-fronteiras em seis décadas, no Djibuti, sugerindo uma mudança na sua estratégia para África, segundo analistas.

A inauguração da base militar no Djibuti servirá para apoiar missões anti-pirataria, de manutenção da paz e assistência humanitária em África e na Ásia ocidental, de acordo com Pequim.

A abertura da base ilustra também a expansão do alcance das Forças Armadas chinesas, acompanhando a crescente influência da China no continente africano.

O país asiático é o principal parceiro comercial de África, de onde importa grande parte das matérias-primas de que precisa.

A China e o Djibuti estabeleceram relações diplomáticas em 1979, mas a presença chinesa no país só ganhou ímpeto nos últimos anos, com a construção de grandes infraestruturas, que incluem um porto, dois aeroportos e uma ligação ferroviária à Etiópia.

Pequim está a experimentar no Djibuti como "estabelecer uma presença a longo prazo que seja bem-vinda e beneficie a população local", escreve François Dubé, jornalista na revista ChinAfrica.

"Apenas assegurando o apoio das comunidades locais, a China pode concretizar as suas ambições na região: desenrolar a 'Rota da Seda Marítima do Século XXI'", acrescenta Dubé.

Divulgado em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, aquele projeto visa reativar a antiga via comercial entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático.

O projeto inclui uma malha ferroviária, portos e autoestradas que permitam à China assegurar o fluxo de recursos naturais para o seu mercado e dos produtos transformados para a Europa.

As instalações do Djibuti permitirão também à China retirar cidadãos chineses radicados em África e no Médio Oriente. Só no continente africano, estima-se que vivam cerca de um milhão de chineses.

Em 2011, Pequim teve de retirar 35.000 cidadãos chineses da Líbia, durante a guerra civil no país, no que terá alertado as autoridades chinesas para a importância de uma presença militar além-fronteiras.

Segunda maior economia do mundo, a seguir aos Estados Unidos, e país mais populoso do planeta, a China não tinha uma presença militar permanente fora do país desde a Guerra da Coreia (1950-53).

O princípio de "não intervenção" foi durante décadas apregoado pela diplomacia chinesa.

Contudo, desde a ascensão ao poder de Xi Jinping, em 2013, Pequim passou a adotar uma política externa mais assertiva.

Nos últimos anos, passou a reclamar a quase totalidade do Mar do Sul da China, onde construiu ilhas artificiais capazes de receber instalações militares em recifes disputados pelos países vizinhos.

Os Estados Unidos mantêm no Djibuti a sua única base militar no continente africano, Camp Lemonnier. Espanha, França, Itália e Japão também têm instalações militares no país.

O aluguer da base irá custar a Pequim 20 milhões de dólares (17,5 milhões de euros) por ano. O negócio garante presença militar chinesa no país até 2026, com um contingente de 10.000 soldados.

Nos últimos anos, a China tem expandido os seus laços militares em África e, segundo um relatório do Conselho Europeu de Relações Internacionais, a cooperação com o continente africano em questões de paz e segurança é agora uma "parte explícita da política externa chinesa".

Em 2015, o Presidente chinês comprometeu-se a contribuir com 8.000 capacetes azuis para a ONU e com 100 milhões de dólares (87,5 milhões de euros) para as forças militares da União Africana.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Municípios paulistas buscam atrair investimentos chineses para projetos

13/07/2017 - Valor Econômico

Em tempos de restrições fiscais, as prefeituras paulistas buscam na China uma opção para driblar a crise e injetar ânimo em suas economias. Gestores municipais e 200 empresários brasileiros se reúnem hoje com autoridades e investidores chineses para tentar encaminhar projetos que podem gerar negócios no curto e médio prazos. 

O município de São Paulo quer atrair investimentos para seu pacote de privatizações, mas outras cidades se movimentam para fazer negócios com os chineses. Fernandópolis, na região oeste do Estado, pretende oferecer benefícios fiscais e outras facilidades e atrair o capital chinês para a compra de uma usina de açúcar e a instalação de uma fábrica de leite em pó. 

Vizinho de Fernandópolis, Estrela d'Oeste incentiva o frigorífico local a exportar mais para a China, enquanto Campinas negocia a ampliação da BYD, indústria de baterias para carros elétricos, filial de uma multinacional chinesa. 

O secretário municipal de Desestatização e Parcerias de São Paulo, Wilson Poit, é categórico ao afirmar que "há muito interesse chinês" nas privatizações propostas pela prefeitura. Ele conta que "toda semana" recebe empresários chineses na prefeitura e que o prefeito João Doria (PSDB) viaja para a China dia 21 para negociações. 

"Eles estão interessados principalmente em projetos imobiliários. Estamos estruturando um fundo com os imóveis da prefeitura e isso está atraindo a atenção deles. Para o Anhembi, que será privatizado, há projeto de transformar em resort integrado com centro de convenções. Também conversamos sobre Interlagos e a Operação Urbana Jorubatuba. O mais interessante é que os chineses financiam os projetos", diz Poit. 

Situada perto das divisas com Mato Grosso e Minas Gerais num trecho de escoamento de commodities por onde passará a ferrovia Norte-Sul, Fernandópolis negocia com chineses há meses. No reencontro com potenciais investidores, o prefeito André Pessuto (DEM) tentará agarrá-los pelo estômago, ajudando na operação de venda de uma usina de açúcar e oferecendo incentivos para instalação de uma fábrica de leite em pó no distrito industrial que ficará pronto em 60 dias e será cedido gratuitamente a investidores. 

A prefeitura de Fernandópolis investe ainda na modernização de um entreposto de commodities da cidade que terá capacidade ampliada. "Hoje passam pelo entreposto de 80 a 100 caminhões de grãos por dia. Quando a Norte-Sul ficar pronta serão 800." 

Autoridades, investidores e empresários da cidade de Zhuhai, no sul da China, desembarcam hoje em São Paulo para a maior rodada de negócios com governos e empresas brasileiros em 2017. Promovido pela Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), o evento é mais um movimento da China na tentativa de ampliar sua participação em vários setores da economia global. 

Oscar Wei, assessor da CBCDE, diz que a crise política e a atividade fraca não espantam o capital chinês, que enxerga oportunidades no longo prazo e tem apoio estatal. Segundo ele, os chineses pretendem analisar oportunidades de compra de negócios ou fusões em setores definidos - imóveis, infraestrutura, agronegócio, startups, commodities, turismo e alimentação.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Banco chinês amplia atuação no Brasil

12/07/2017 - Valor Econômico

Com o aumento de investimentos de empresas chinesas no Brasil, diante das oportunidades de aquisição que surgiram com a crise e a retomada dos programas na área de infraestrutura, os bancos do país asiático estão reforçando a atuação no país.

Os cinco maiores bancos da China com presença no Brasil - Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), Bank of China, Haitong, China Construction Bank (CCB) e Bank of Communications (BoCom) - representam, juntos, apenas 0,48% dos ativos totais do sistema financeiro local. Todavia, eles não precisam ter um balanço grande para operar no país, já que a maioria tem como foco a assessoria financeira e o suporte ao financiamento via repasse de linhas externas. Além disso, contam com a vantagem de trabalhar com agências de exportação e organismos multilaterais chineses para financiar as obras de infraestrutura no Brasil.

O ICBC, maior banco do mundo em ativos segundo a S&P, com US$ 3,47 trilhões no fim de 2016, pretende participar do financiamento de projetos de infraestrutura em parceria com o fundo Brasil-China, lançado em parceria com o governo brasileiro, de US$ 20 bilhões. Desse montante, US$ 15 bilhões virão do Fundo de Cooperação Chinês para Investimento na América Latina (Claifund). "O ICBC gostaria de participar da construção de projetos de infraestrutura no Brasil juntamente com o fundo Brasil-China como apoiador no financiamento", explica Xiaobo Li, diretor-presidente do ICBC Brasil, em entrevista por e-mail.

O ICBC tem trabalhado com agências de exportação chinesas para oferecer suporte financeiro aos projetos de infraestrutura no país, nas áreas de energia, transporte, construção municipal e outros setores. "A seleção dos projetos leva em consideração os requerimentos de políticas, estabilidade do retorno e controle do risco", destaca Xiaobo Li.

Essa também é a estratégia do Haitong. O banco iniciou as operações no Brasil em 2015, após adquirir as operações globais do Banco Espírito Santo Investimento (Besi). Com foco no serviço de assessoria financeira para os investidores e empresas chinesas que estão chegando no país, o Haitong tinha, em março, R$ 7,452 bilhões em ativos totais, segundo dados do Banco Central, e conta com sete a nove mandatos em andamento.

"Atuamos no processo de intermediação, seja na estruturação de projetos de infraestrutura ou na assessoria para aquisições e privatizações que tenham empresas chinesas interessadas, buscando soluções de financiamento tanto de curto quanto de longo prazos", afirma Alan Fernandes, presidente do banco no Brasil.

O Haitong assessorou a empresa chinesa China Gezhouba Group Corporation (CGGC) na compra da participação detida pelo consórcio liderado pela Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez na Parceria Público Privada (PPP) da concessionária Sistema Produtor de Água São Lourenço (SPSL). O banco também prestou assessoria para o grupo chinês Pengxin na aquisição de participação na Belagrícola, do setor de agronegócio.

Segundo Fernandes, há outras operações que interessam às empresas chinesas, principalmente nos setores de energia elétrica e renovável, agronegócio, óleo e gás, ferrovia e logística.

Na área de energia, o Haitong participou da assessoria da modelagem financeira e estudo de viabilidade para a EDP Energias do Brasil, que tem como acionista a China Three Gorges (CTG), que arrematou quatro lotes no último leilão de linhas de transmissão. O banco está na fase de estruturação do funding para financiar o projeto. Ao todo, a empresa prevê investir cerca de R$ 3 bilhões nas obras.

O pacote de projetos e concessões na área de infraestrutura do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) anunciado pelo governo neste ano, que deve somar R$ 45 bilhões, tem atraído investimento de empresas chinesas.

Além dos bancos presentes no Brasil, outros investidores asiáticos estão interessados em financiar projetos de infraestrutura no país, como o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento entre a China e países de língua portuguesa. Há ainda a expectativa de que Fundo da Nova Rota da Seda, com US$ 40 bilhões de recursos, estenda os investimentos para América Latina.

Além do financiamentos para empresas chinesas que estão investindo no Brasil, projetos de companhias brasileiras que envolvam a importação de máquinas e produtos do país asiático podem contar com recursos do Banco de Importação-Exportação da China. "O funding desses organismos é em dólar e a estruturação do projeto tem de atender as expectativas de retorno", diz Fernandes, do Haitong.

A Petrobras, por exemplo, contratou uma linha de US$ 10 bilhões com o China Development Bank (CDB) no ano passado, dos quais apenas US$ 5 bilhões foram desembolsados. A companhia ainda pode acessar os US$ 5 bilhões restantes já pré-aprovados.

Os bancos chineses têm adotado estratégias diferentes para entrar no Brasil. O ICBC e o Bank of China decidiram abrir uma operação própria. Já o CCB adquiriu o BicBanco, o BoCom comprou uma participação de 80% do BBM e o Haitong entrou no país ao assumir as operações globais do Besi. Dos maiores bancos comerciais chineses, o único que não têm presença no Brasil ainda é o Agricultural Bank of China.

Comenta-se no mercado que bancos ou fundos chineses poderiam ter interesse em eventual venda do Banco Original e da Guide, plataforma de investimentos do Banco Indusval.

http://www.valor.com.br/financas/5034778/banco-chines-amplia-atuacao-no-brasil